O Dr. Miltom Medeiros foi pediatra competente e professor de Pediatria e de Radiologia Pediátrica. Foi criador do departamento de radiologia do IMIP, atleta e professor de natação.
17.1A criança e os esportes: natação
O ser humano precisa ter atividade física durante toda a vida. As crianças devem praticar esportes. Isso será útil para o seu bem-estar físico e também para sua integração na sociedade, desenvolvendo qualidades como sociabilidade e espírito de cooperação.Quando começar?
Pondo de parte os exageros, apenas um esporte deve ser começado logo no primeiro ano de vida, mais como medida de segurança do que pelo esporte em si. Este esporte é a natação. Vejamos o porquê.
Aprender a nadar é, para a criança, tão importante quanto fazer as vacinações, pois é um seguro de vida, contra afogamento acidental, inclusive na própria residência.
Atualmente, com o número de piscinas domiciliares cada vez maior, a morte por afogamento na própria residência já é preocupante, tanto que em alguns lugares já consta de lei que piscinas residenciais sejam cercadas.
Há alguns anos, em João Pessoa, uma professora estava dando um passeio de bote com um grupo de alunos na lagoa do centro da cidade. O bote virou e diversas crianças morreram afogadas a poucos metros da borda, tragédia essa perfeitamente evitável se as crianças soubessem se locomover na água alguns metros.
O bebê pode se tornar seguro na água em alguns meses, o que não quer dizer que tenha se tornado um nadador, mas o importante é que ele adquira a capacidade de se locomover na água, sem pânico, podendo se dirigir para onde quiser.
Mais adiante, quando a criança já estiver no colégio, vai poder praticar diversas atividades físicas, e deverá ser estimulada.
Quanto ao esporte competitivo propriamente dito, as crianças são divididas em categorias para que haja uniformidade nos grupos, e desse modo se evitem as lesões traumáticas, o máximo possível. Uma pergunta frequente é: o esforço pode fazer mal ao coração?
A resposta é: não, desde que a criança não tenha uma lesão cardíaca congênita ou adquirida, ou seja, se a criança tiver um coração normal, não há perigo algum de uma insuficiência cardíaca, por maior que seja o esforço. O músculo cardíaco é muito mais resistente do que o músculo esquelético.
Naqueles casos noticiados de atletas adultos que tiveram uma crise cardíaca e morte durante o esforço físico, ficou sempre demonstrado que eles tinham lesão cardíaca anterior.
Entretanto, no mundo atual não é raro que crianças estejam competindo sob a ação de estimulantes, o que é triste e vergonhoso, mas infelizmente é verdadeiro. Nesses casos, pode haver perigo real, porque sob a ação de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, o limiar natural de defesa pode ser ultrapassado, e haver perigo de morte.
Os pais ou responsáveis pelas crianças que tomam parte em competições devem se informar se seus filhos tomam comprimidos ou outras substâncias para competirem, e consultarem seus médicos.
17.2Generalidades
Atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requeiram gasto de energia. Isso inclui diversas atividades como no lazer (jogar, correr, pular...), no transporte (andar a pé, de bicicleta, patins...), no domicílio (lavar pratos, varrer a casa...) e no trabalho. A atividade física quando é planejada e estruturada e tem como objetivo melhorar a força muscular, a flexibilidade e o equilíbrio, é chamada de exercício físico. A atividade física é considerada pela OMS como o melhor remédio do mundo, pois serve para muitas doenças, além de ser uma importante medida para evitá-las e preveni-las. Atividade física faz bem para a cabeça, coração, pressão, pulmões, ossos, músculos, articulações, ou seja, todo o organismo físico e mental. Atividade física pode ser feita por todas as pessoas, independentemente da idade, apresenta um baixo custo e são extremamente simples de serem realizadas.
Esse remédio, bom, barato e disponível para todos, deveria ser utilizado por todas as pessoas?
Sim, mas infelizmente não é o que acontece. Mais da metade das pessoas são fisicamente inativas. A OMS considera que as pessoas para serem fisicamente ativas devem fazer ao menos 150 minutos por semana de atividade física, ou seja, atividades nas quais as pessoas sintam o coração bater mais rápido ou transpirem. Isso significa que deveríamos nos exercitar pelo menos meia hora por dia, de segunda a sexta. Veja se esse é o seu caso.
A prática de atividade física tem alguma vantagem especial para as crianças?
Sim, várias. A atividade física ajuda no crescimento e desenvolvimento da criança para que ela atinja todo o seu potencial genético nato. Ajuda na prevenção das doenças crônicas, principais causas de morte na vida adulta, como as doenças cardíacas, o acidente vascular cerebral (derrame cerebral) e a diabetes. Além disso é muito importante para aquisição do hábito de realizar atividade física pois essa prática é transmitida para toda a vida. Crianças que praticam atividade física têm uma chance alta de serem adultos fisicamente ativos. Todos sabem como é difícil colocar um adulto que nunca fez atividade física para ser fisicamente ativo.
Existem ainda outros benefícios?
Sim, atividade física contínua e regular proporcional bem-estar, satisfação e alegria de viver. O desenvolvimento e/ou o aperfeiçoamento de muitas outras características úteis por toda a vida e em todas as atividades humanas — companheirismo, espírito de equipe, solidariedade, aceitação da hierarquia, disciplina, paciência, convívio com a vitória e com a derrota, obstinação, cumprimento de horários, definição de metas a alcançar e muitos outros aspectos — também são observados na meninada. Menos tristeza, solidão, obesidade e mais saúde geral também são produtos de extraordinário valor.
E o valor para o controle do peso?
A prática esportiva e a atividade física são importantes para o controle do peso e para outros aspectos que tipificam a boa saúde. Vários estudos têm demonstrado que indivíduos obesos ou que estão com excesso de peso, mas que fazem atividade física regularmente, que comem frutas, verduras, cereais integrais, possuem o mesmo risco de morte por doenças cardiovasculares que indivíduos magros saudáveis. O risco de hipertensão arterial e hipercolesterolemia pode ser mais elevado em pessoas magras, mas sedentárias, sem hábitos saudáveis, do que nas que apresentam sobrepeso, mas são ativas.
Está dificil é arrumar esquema!
As casas com seus grandes quintais desapareceram das grandes cidades e a vida tumultuada dos dias de hoje com muito trânsito e a violência, estão dificultando o acesso das crianças às ruas, praças e outros locais onde possam brincar, correr, pular, praticar amarelinha, jogar peteca, bater uma bolinha e exercer outras atividades físicas, livremente, sem compromissos. A tendência para o sedentarismo, na frente das telas (celular, TV, videogames, etc.) é um destino inquestionável. É importante que todos procurem criar esquemas, horários e oportunidades para que as crianças tenham atividade física. E, se possível, é importante que os pais criem esquemas para que elas, quanto mais cedo melhor, exerçam uma prática esportiva regular adequada a seu grupo etário.
Chamar atenção também para os políticos e gestores da saúde pública para que ofereçam áreas verdes nas grandes cidades. Estudos comprovam que morar perto de áreas verdes faz bem para a saúde.
Qual o papel dos pais? É importante ter treinador?
Inicialmente, o exemplo, pois para as crianças vale muito mais do que palavras, orientações ou mesmo determinações. As atividades como correr, pular, jogar amarelinha e muitas outras são atribuições que os pais devem prover para seus filhos. Essas atividades também podem ser estimuladas, diversificadas e desenvolvidas por recreadores ou treinadores. Basta espaço e algumas crianças juntas para que vários jogos e brincadeiras entrem na pauta do dia. A geração das crianças atuais é provavelmente acostumada aos “jogos enlatados”, jogos de Internet, videogames e excesso de brinquedos que inibem a criação livre das atividades e das brincadeiras. Certamente, pais e mães podem e devem exercer o papel de estimulador. Há material impresso e eletrônico na internet que ajuda os familiares nessa função. Basta ainda os pais voltarem à sua infância e repetir e ensinar para a criançada as brincadeiras do seu tempo. Mas o melhor instrumento é a boa vontade. O treinador ou instrutor é importante para o aprendizado de algumas práticas físicas especiais, como a natação, que também pode ser muito ajudada pela mãe ou pai. Mas, ele, o treinador é essencial se a atividade física começar a ter as características de esporte que visa à formação de uma equipe e que objetiva a competição.
O treinador e o local das atividades merecem atenção especial?
O recreador, o treinador e o local para o exercício livre das brincadeiras devem ser bem escolhidos. Os pais devem acompanhar o desenvolvimento da programação esportiva. Mais do que o desempenho físico, é importante que os pais aquilatem a satisfação que a prática esportiva está produzindo na criançada. Também é importante observar a conduta do treinador perante o aluno ou equipe. Alguns itens devem ser olhados com mais atenção: forma de falar, forma de exigir cumprimento de metas e desafios, cuidado com possíveis lesões, principalmente nas práticas mais vigorosas ou treinos mais intensos. Seguramente, há que se ter cuidado com os valores pessoais e com o caráter desses profissionais. Estamos assistindo, a todo momento, notícias sobre pedofilia.
O que fazer com os que preferem telas?
Raras vezes, problemas orgânicos como anemia, alteração da tireoide e vários outros problemas justificam a preferência pelo sedentarismo. Os pediatras devem ser consultados. É importante verificar se essas crianças estão sendo estimuladas a correr, a brincar, a ter amigos que sempre estimulam a prática física. Com frequência, o erro é dos familiares que não se preocupam com a questão, pois, por natureza, todas as crianças adoram correr, pular, cair na água, andar de “motoca” ou de bicicleta e a conviver com colegas. Mas o diverso comportamento humano explica que há indivíduos mais afeitos às atividades intelectuais, à leitura, ao sedentarismo. E há os esportistas. O ideal é a junção, “mens sana in corpore sano” (Mente sã em corpo são), como diz a citação latina do poeta romano, Juvenal, datada de cinco séculos antes de Cristo.
É preciso exame médico para a prática esportiva?
Para as atividades físicas comuns e mesmo para o início de qualquer prática esportiva, basta o exame pediátrico rotineiro. Mas, na medida em que a atividade esportiva passa a ser mais competitiva, a exigir mais esforço no treinamento e nas disputas, há necessidade de um planejamento especial para a saúde geral e particularmente para a nutrição.
O excesso de atividades físicas pode ser maléfico?
O que preocupa é a falta e não o excesso de atividades físicas. Mas o excesso ou as atividades físicas que mais exigem dos músculos, dos ossos, das articulações podem produzir lesões corporais. Estão sendo observadas nas crianças e nos adolescentes algumas lesões antes vistas nos esportistas adultos, como é o caso da lesão do ligamento cruzado anterior do joelho. Essa lesão é produzida quando as crianças parecem se exceder na prática de vários esportes extremamente competitivos — judô, futebol. Certamente, a dedicação abusiva aos esportes pode causar até outros prejuízos como a desatenção com o aprendizado geral.
Como saber o que é excesso?
É difícil ou impossível situar com precisão. Mais complicado ainda é dizer às crianças e aos adolescentes que estão felizes com os esportes que eles estão exagerando. Pode haver o excesso de exercícios quando surgem: dores nos membros, hematomas e outras lesões traumáticas, insônia, baixo rendimento escolar e mudanças comportamentais. É claro que a avaliação médica deve ser feita. O pediatra, dentre tantas outras tarefas, deve revisar quantas horas semanais estão sendo usadas para a escola, o esporte, a televisão, o computador, o lazer, e as outras atividades. É uma queixa comum na adolescência o excesso de atividades que pode causar insônia ou excesso de sono durante o dia, irritabilidade, dificuldades alimentares e escolares, e outros sintomas.
Qual esporte selecionar?
Para a saúde, para a vida, para o bem-estar, qualquer um vale. Quando os familiares, sobretudo os pais, praticam um esporte, esse tende a ser o preferido pelos filhos. Quando há um campo de futebol disponível perto da casa, isso obviamente favorece a prática desse esporte. Assim, a prática esportiva a ser desenvolvida depende das facilidades disponíveis e de vários outros fatores facilitadores ou não. Entretanto, prioritariamente, o gosto da criança deve ser respeitado. Não adianta forçar um esporte que a criança não goste. Atividade física deve ser contínua e sem a aderência da criança, esse é um objetivo quase impossível de ser tingido.
Quais as idades para as várias atividades físicas?
Citamos, para entendimento de vocês, que a prática dos diversos tipos de atividade física vai depender, logicamente, da idade das crianças, entretanto, há consenso de que quanto mais cedo, melhor. Inclusive, sabe-se hoje que as gestantes, ao realizarem atividade física, trazem benefícios tanto para elas como para seus bebês ainda no útero — grávidas que praticam atividade física têm maiores chances de terem uma gravidez saudável e um parto sem complicações. Para os bebês nos primeiros meses de vida, o aleitamento materno tem sido considerado como uma atividade física, pois ele gasta mais energia mamando do que chupando uma mamadeira. Nos primeiros 6 meses, estimular os bebês novinhos com massagens, flexões e extensões dos bracinhos e das pernas, colocar no braço e se movimentar juntamente com o bebê devem ser praticas estimuladas. A partir dos 6 meses, os bebês devem ser colocados no chão em locais seguros e previamente preparados. Lá pelos 9 ou 12 meses as crianças ficam de pé e começam a ensaiar os primeiros passos. Após o estabelecimento da capacidade de andar com certa firmeza, em torno de 1 ano e 6 meses de idade, a casa passa a ser pequena. É a idade dos parques, das praças, a casa não é suficiente para que as crianças brinquem, corram, chutem, pulem e rolem.
E qual a idade para a natação?
Alguns indicam que após os 6 meses as crianças sejam colocadas em contato com as piscinas. Não para aprender natação. Mas para sair dos apartamentos cada vez menos espaçosos, ter contato com outras pessoas, conviver com a água, com o sol e com o ar livre que geram aprendizado e experiências úteis. O aprendizado real da natação, que exige amadurecimento motor muito fino, só é alcançado após os 4 anos e só deve ser estimulado após essa idade.
Mas a natação não é indicada para evitar acidentes?
Isso não está bem provado. O contato com as piscinas, nas crianças de menos de 4 anos, é tido, por muitos estudiosos, como uma atividade de lazer e de adaptação para o início do aprendizado que só deve ser estimulado após o quarto aniversário. Assim, o contato com a água antes dessa idade não é para transformar as crianças em nadadoras nem as capacitar para sobreviver na água. Inclusive, alguns estudiosos falam que antes do quarto ano as crianças são incapazes de reconhecer os perigos da água e de usar as estratégias de segurança apropriadas. Falam ainda com muita ênfase que a habilidade de nadar é diferente da capacidade de se manter na superfície da água para evitar o afogamento. Ao redor do primeiro ano as crianças, muito bem treinadas, repetidamente treinadas, por muito tempo treinadas, podem realizar apenas movimentos rudimentares de natação. Há inclusive o receio de que o agradável contato com a água, mesmo que orientado por instrutores ou familiares habilitados, possa representar um risco ao estimular as crianças a entrarem sozinhas.
Então, o que devemos fazer?
É prudente pensar nas recomendações da Academia Norte-Americana de Pediatria: as crianças estão aptas ao aprendizado da natação após o quarto ano. Os programas aquáticos para as crianças não devem ser desenvolvidos para reduzir o risco de afogamento. Os pais não podem ficar seguros de que seus filhos ao frequentarem esses programas não sofrerão afogamentos. As crianças ao redor da água devem estar a um braço distante de um braço de um adulto. Todos os programas que envolvem o contato com a água para as crianças devem incluir informações sobre as limitações cognitivas e motoras, sobre os riscos do afogamento, sobre as estratégias para prevenir esse acidente e sobre o papel dos adultos no cumprimento desses objetivos. Outros problemas produzidos pelo contato com a água — intoxicação hídrica, hipotermia e doenças infecciosas — devem também fazer parte dos cuidados a adotar com as crianças.
A dança é recomendável como atividade física?
As danças populares e o balé clássico são extraordinários na formação do caráter, na elevação do nível intelectual e na melhoria do corpo como um todo.
E o basquete ajuda a crescer e a ginástica olímpica atrapalha o crescimento?
Isso não é verdade. A prática de qualquer esporte ajuda no crescimento. No caso do basquete e da ginástica olímpica, as crianças mais altas e as mais baixas, respectivamente, apresentam maior habilidade para esses esportes.
A educação física nas escolas conta?
Conta, sem dúvida. Mas é uma pena que a educação física na escola não seja mais bem trabalhada, mais exigente. Alguns familiares chegam ao consultório do pediatra solicitando atestado para justificar as faltas ou o afastamento das atividades físicas escolares. É uma lástima que os familiares façam o pedido e uma lástima maior ainda que alguns pediatras atendam.
E as academias de ginástica?
Os pais sempre perguntam sobre isso. Sem dúvida, o melhor é a atividade física livre, desprogramada, espontânea: brincar, pular, correr, bater uma “pelada”. Excelente também é a atividade esportiva regular: futebol, voleibol, basquetebol, natação, equitação, ciclismo, dentre outros. Essas atividades praticadas ao ar livre, numa turma ou numa equipe, permitem as importantes experiências que o convívio em comunidade oferece. Mas há espaço também para as academias em ambientes fechados. O Canadá foi pioneiro na implantação de academias para crianças, bem diferentes das de adultos, e que vem crescendo muito nos países ricos. Essas academias funcionam como um parque para crianças, oferecendo oportunidades que elas não têm em casa para se movimentarem em diversos brinquedos, com segurança e a orientação e a supervisão de treinadores qualificados.
Qual a idade em que crianças e adolescentes são liberados para irem à academia?
Recentemente, os estudos têm demonstrado que a prática de exercícios físicos anaeróbicos (musculação e resistência) traz benefícios às crianças e adolescentes. Esses exercícios ao aumentarem a massa muscular e a densidade óssea, competem para prevenir a sarcopenia (perda da massa muscular) e a osteopenia (perda de massa óssea), tão comuns após a quarta/quinta década de vida. Obviamente que teve ter a supervisão direta de um professor de educação física devidamente habilitado.
E as vitaminas, aminoácidos, proteínas e suplementos nutricionais?
Frequentemente, o pediatra é consultado, principalmente pelos familiares dos adolescentes que frequentam academias, sobre a necessidade de suplementação alimentar, vitamínica e coisas assim. São levados ao consultório enormes frascos de produtos vindos do exterior, bem apresentados e caros, que “contém maravilhas capazes de criar massa muscular e de melhorar o rendimento”. Isso é mentira pura. É propaganda para vender produtos sem nenhuma fundamentação. É mecanismo de obter lucro e os familiares devem estar atentos a essas academias que permitem e até promovem esse tipo de comércio, pois alguns desdobramentos, como o consumo de hormônios, podem ser estimulados. Apenas os superatletas precisam de cuidados nutricionais e médicos especiais. Neles, tudo é medido, avaliado e corrigido para que o rendimento seja ótimo. Médicos que fazem medicina esportiva, fisiologistas que estudam cada item do corpo, psicólogos que apoiam os atletas, nutricionistas especializados em nutrição esportiva e vários outros especialistas compõem o time para que os resultados sejam ótimos. As crianças e os adolescentes que fazem atividade física livre e praticam esportes sem visar a “recordes olímpicos” devem receber apenas os cuidados nutricionais normais, vitaminas e minerais da alimentação rica, as proteínas da dieta sadia da casa e os outros componentes da refeição saudável e nada mais.
E os hormônios? E os estimulantes?
Temos assistido a uma série repetitiva de exemplos de atletas e até de pessoas normais que usam hormônios e várias outras substâncias para obter melhores resultados nas competições ou simplesmente para ficar com o “corpo sarado”. Temos visto jovens falecer com o uso de produtos para uso veterinário, cânceres e vários outros problemas ocorrerem como consequência do uso descontrolado de hormônios, jovens de nível universitário, com um brilhante futuro, que de repente surgem com uma massa muscular anormal que antes não tinham, por estarem usando derivados da testosterona. Sabemos que alguns inescrupulosos instrutores das atividades físicas vivem do tráfico dessas substâncias ilegais e seduzem os jovens a consumi-los. Existe o que é bonito, elogiável e que deve ser reproduzido, mas também existe o que é condenável e que deve ser reprimido e punido. Os familiares devem estar atentos.
Como evitar acidentes durante as atividades físicas?
A atividade física de qualquer tipo expõe aos acidentes de vários tipos e de várias intensidades e gravidades. A criançada deve estar sempre supervisionada por adultos quando exercendo seus exercícios físicos. Os familiares, babás, recreadores, instrutores, professores de educação física e todos os que supervisionam as atividades físicas e esportivas devem estar preparados para tentar evitar os acidentes e para prestar os primeiros-socorros se eles acontecerem. Eles devem estar avisados para os tipos de acidentes que cada atividade predispõe. Por exemplo, quem supervisiona a natação deve estar alerta para o afogamento. Isso é o mais valioso. Estar alerta e preparado. E a criançada deve estar protegida. A equitação exige equipamento de proteção especial. O hóquei e a patinação idem. A natação requer o uso de boias até que a criançada esteja apta a sobreviver por alguns minutos na água sem problemas.
Novamente citamos que os nossos encontros e os textos não substituem a orientação especializada dos profissionais que estudam cada um dos temas que temos debatido. Orientamos finalmente que todos leiam também o capítulo Brincadeiras e brinquedos — A importância do brincar que complementa o que debatemos hoje.
17.3Natação: água clorada e saúde
São universalmente reconhecidos os benefícios dos esportes e da natação em particular para o bem-estar e para a saúde das crianças e dos adultos. Os terríveis acidentes na água podem ser prevenidos pelo aprendizado da natação. Aprender a nadar é quase uma obrigação. Os problemas de saúde produzidos pelo cloro, usado no tratamento da água das piscinas onde quase todas as crianças aprendem a nadar, têm sido revisados.
O cloro é importante no tratamento da água?
Destacamos alguns aspectos. O cloro, na natureza um gás, e alguns derivados — hipoclorito de sódio, líquido, como na água sanitária, e o hipoclorito de cálcio, em pastilhas ou granulado — são importantes meios para a desinfecção da água. Eles são poderosos desinfetantes contra as bactérias da febre tifoide e das terríveis epidemias de diarreia. Há mais de 100 anos o cloro evita as doenças que se disseminam pela água e ainda evita milhões de quadros diarreicos e mortes. Os produtos clorados tiram sabores e odores desagradáveis e o nitrogênio não desejado da água. Eles agem contra as algas, mas não agem contra todos os micróbios, como as amebas e as giárdias. Mais de 90% dos 400 milhões de copos de água que os europeus tomam por dia são de água clorada. Há quem diga que a cloração da água é a mais significativa conquista da saúde pública do milênio passado e é um dos mais importantes fatores para o significativo aumento da expectativa de vida observado no último século. Ao lado desses maravilhosos benefícios, há a preocupação de que muitas doenças possam estar sendo produzidas pelo cloro.
Quais as particularidades na higienização da água da piscina?
A desinfecção da água das piscinas é um processo particular devido aos muitos contaminantes que a poluem. Há dois grandes grupos de fatores que degradam água acumulada nas piscinas: os ambientais e os dependentes dos usuários. Os últimos são, sem dúvida, os mais importantes. Elementos indesejáveis do ar são encontrados mais nas piscinas abertas do que nas fechadas. Mas os banhistas são os principais poluidores ao contaminar a água com variadíssimos materiais. A contribuição do ser humano é com material solúvel (urina e suor), material coloidal (secreção nasal, da pele e da faringe, cremes e óleos e outros produtos cosméticos), material em suspensão (restos de pele e pelos) e micro-organismos (bactérias, vírus e parasitos).
Não imaginava que pudéssemos poluir tanto a água da piscina!
É estimado que uma pessoa, ao usar a piscina, emite 30-50 mL de urina e contribui com três gramas de material orgânico. Tudo isso é alimento para as bactérias. O banho numa piscina não devidamente higienizada pode produzir doenças menos graves — conjuntivite, rinites, faringites, otites e micoses cutâneas —, mas podem ocasionar doenças mais graves, como diarreias e meningites.
E a cloração resolve o problema?
Ressaltamos alguns aspectos importantes:
- A cloração da água das piscinas visa matar os micróbios sensíveis a esses agentes químicos e causadores de doenças.
- O processo de higienização da água da piscina varia com o uso, número de usuários, origem da água e vários outros fatores como até a qualidade da higiene pessoal dos frequentadores.
- Além da cloração que deve obedecer a controles de qualidade, há necessidade de outros processos como o uso de filtros para que a água seja considerada de boa qualidade para a prática da natação.
- É importante que os familiares prestem atenção a esses aspectos e que façam perguntas sobre o controle da cloração para que eles se sintam obrigados a manter criteriosos mecanismos de proteção aos usuários.
- Atualmente, há preocupação com os malefícios do contato com a água clorada. O cloro reage com os produtos orgânicos e forma compostos irritantes para os olhos e para outros setores do corpo.
- Há recomendações para que as famílias controlem a quantidade de produtos clorados na água usada na casa, comprem água engarrafada não clorada ou instalem purificadores domésticos para reduzir o cloro na água consumida.
O assunto é antigo, não é?
O professor Aguinaldo Jurema, destacado otorrinolaringologistas que atuou no Recife, em 1992, no volume 3 do Conversando com os pais, série de livros educativos para os familiares, assim se pronunciou:
“Observo que a água superclorada (a água potável já é clorada) produz ou agrava os sintomas das doenças nasais e prejudica o funcionamento do nariz em expressivo número de crianças. O grupo que mais sofre é o de crianças alérgicas. O mau funcionamento do nariz predispõe ao aparecimento das sinusites. Também dificulta funcionamento das trompas de Eustáquio e facilita a instalação das otites médias. A água de piscina não tratada com substâncias químicas irritantes não deve ser nociva ao nariz, porém o é para os ouvidos externos como qualquer água. A água do mar é mais saudável para o nariz, pois sua composição assemelha-se ao soro fisiológico. Contudo, para as crianças que têm eczema ou fungo no ouvido externo, qualquer tipo de água que provoque umidade, associada ao calor tropical, poderá causar otite externa.”
É pacífica a aceitação de que a água clorada faz mal?
O tema é controverso. Vamos transcrever algumas posições médicas.
Pesquisador dos Estados Unidos — “Há evidências de que os nadadores e os mergulhadores têm frequência maior de rinite e de sinusite. A origem não é bem conhecida e não tem havido terapia efetiva a não ser ficar fora da água clorada.”
Prof. José Ângelo Rizzo — “Algumas evidências científicas mostram que a água clorada das piscinas pode agravar a asma e a rinite. Isso ocorre especialmente em crianças que não têm um bom controle da respiração e permitem que a água penetre nas suas narinas. Minha experiência pessoal mostra que crianças com rinite alérgica e que frequentam piscina, quando ainda não foi atingido um controle clínico satisfatório da doença, têm o quadro clínico de obstrução e de secreção nasal exacerbados. Aumenta, assim, a possibilidade de sinusites e otites e há maior dificuldade no controle clínico. A piora da rinite pode agravar os sintomas de asma naquelas crianças que têm ambas as doenças e é estimado que 50 a 80% das crianças que tem asma também tem rinite. Após três ou quatro meses de tratamento, e se as crianças gostam, e querem nadar, liberamos a participação em natação, sempre recomendando aos pais observarem o comportamento dos sintomas nasais. Se houver piora, recomendamos suspender a natação por mais tempo.”
Prof. Fernando Azevedo — “Tenho falado sobre os problemas de saúde das crianças que têm contato com as piscinas cloradas porque, há algum tempo, uma das sociedades americanas de alérgicos exigiu das autoridades que as piscinas fossem ozonizadas ou que fossem usadas outras substâncias esterilizantes. Na prática, vejo relação entre natação em piscina clorada e doenças respiratórias e até dermatológicas. Professores de natação queixam-se do desgaste de suas sungas e maiôs que, às vezes, não duram 15 dias pelo ataque do cloro e, num dos artigos, a natação cria problemas em alguns pelos vapores do cloro, o que também já tinha lido. Quanto aos benefícios da natação para os asmáticos é inquestionável e melhor que os esportes de explosão que, em muitos, determina crises de asma de esforço. A natação pela gradualidade do exercício é melhor. Xuxa e Gustavo Borges eram asmáticos. Spitz era asmático e foi recordista com muitas medalhas de ouro em uma olimpíada. Quem inventou a natação para os bebês foi a turma dos acidentes na infância que continua preocupada com os afogamentos. A criança que faz natação a partir dos 6 meses ou mesmo 1 ano tem mais chances de sobrevivência se entrar nas piscinas desacompanhada dos pais. Se pegar otite ou sinusite, a gente trata. Ainda dentro desse assunto, crianças com tubos de ventilação nos tímpanos sofrem prejuízos apenas em mergulhos profundos. A pressão de dentro para fora impede qualquer risco de penetração de água nos ouvidos numa recreação normal em praia e piscinas.”
Prof. Moacyr Saffer — “A mucosa nasal responde de forma idêntica, com reação inflamatória, se o agente agressor for físico (mudanças de temperatura), químico (cigarro, cloro, combustão fósseis) ou biológico (vírus, bactérias, fungos). Olha, sendo o cloro um gás irritante, não tem mais o que discutir sobre sua influência nas vias aéreas. Minha mulher é uma desportista e teve que abandonar a natação porque era sempre a mesma coisa: 15 dias de piscina e fazia sinusite purulenta. Chamo a atenção de ser em piscina fechada, o que não existe no Recife por causa do calor. Aqui, no sul, fica uma atmosfera com gás em suspensão que os pais reclamam do cheiro e que impregna a roupa. Uns alérgicos são mais sensíveis, mais reativos que outros e respondem com maior intensidade inflamatória ao fator agressivo, é assim que temos que pensar. Essa sim é uma evidência para a qual não precisamos juntar 1000 casos semelhantes. Pacientes que suportam a agressão do cloro ficam. Os outros vão para o futebol, ou outro esporte.”
Prof. Wilson Rocha Filho — “A relação entre cloro e doenças respiratórias ainda é um assunto muito controverso. É importante lembrar que não é a água clorada que entra pelo nariz a causa de sinusite e até asma. Água no nariz, mesmo em quantidade muito pequena, é uma coisa muito desagradável e felizmente acontece raramente. Caso contrário, a maioria das crianças iria detestar qualquer tipo de água. Como já foi mencionado, o cloro da piscina reage com suor e urina e cria um gás poluente que irrita os pulmões. Por isso, é que piscinas fechadas concentram maior quantidade desse gás poluente. A fumaça do cigarro e a poluição de grandes cidades são muito piores que a poluição em volta de uma piscina. Os trabalhos que tentam relacionar a natação em piscinas cloradas com sinusite ou asma são muito controversos e não nos permitem chegar a conclusões e muito menos recomendações para serem aplicadas nas crianças de uma maneira geral. A impressão clínica e a experiência pessoal certamente são válidas para formar uma hipótese. Mas a hipótese não deve ser aceita como fato definitivo até ser confirmada cientificamente. Isso ainda não aconteceu em relação ao cloro de piscinas e doenças respiratórias. Sabemos apenas que exposições prolongadas, acima de 20 horas semanais, não causam asma, mas podem agravar um quadro de asma existente. Portanto, há necessidade de uma exposição por pelo menos quatro horas por dia, durante cinco dias na semana, para que alguma coisa de ruim aconteça. Somente atletas de competição atingem esse número de horas numa piscina. Não é necessário nadar. Professores de educação física e outros profissionais que trabalham em volta da piscina por tempo prolongado, se asmáticos, também podem piorar o seu estado clínico. Ora, minha gente, nossas crianças ficam, no máximo, entre duas e quatro horas por semana em contato com esse tal gás poluente, indicando um risco mínimo de o cloro causar algum mal. Não se iludam! Piscinas ozonizadas também possuem cloro. É recomendação da Anvisa: toda piscina pública, seja ela ozonizada ou não, deve conter cloro! É lei, pois o cloro previne uma série de doenças graves que podem ser transmitidas pela água da piscina.
É verdade que alguns tratamentos não funcionam e até prejudicam o paciente. O fato é que as conclusões médicas com frequência são baseadas em experiências clínicas e observações do dia a dia, que geralmente não são confiáveis. Está claro que a maioria dos tratamentos nunca foi avaliada por estudos bem elaborados e são usados simplesmente porque os médicos sempre acreditaram que eles funcionam. A proibição de nadar se encaixa perfeitamente nesse perfil. Em um país de clima tropical como o Brasil, onde 80% do tempo as condições são ideais para nadar, quando cada vez se faz mais necessário estimular nossas crianças a terem atividades ao ar livre e quando a medicina está cada vez mais preocupada com a qualidade de vida dos seus pacientes proibir natação sem que haja uma prova irrefutável do seu malefício não nos parece o caminho mais correto. É nossa opinião que proibir natação nessas circunstâncias afetará mais negativamente a qualidade de vida da criança e sua família, sem necessariamente melhorar os sintomas respiratórios.
Em nosso serviço, não proibimos a natação e, pelo contrário, estimulamos a sua prática. Não me lembro, em 25 anos tratando de crianças com doenças respiratórias, de deixar de controlar um quadro de asma ou sinusite de repetição simplesmente porque a criança nadava regularmente. Proibir natação no Brasil vem se alastrando como um rastilho de pólvora, baseado em meias verdades. Acontece que uma meia-verdade pode ser uma mentira inteira. E, enquanto a mentira dá a volta ao mundo, a verdade não tem tempo nem de calçar o sapato! A medicina é cheia de mitos tirados de impressões clínicas, opiniões pessoais, pesquisas defeituosas, interpretações erradas e lapsos temporários de médicos famosos. Esses mitos se tornam fatos e qualquer tentativa de contradizê-los encontrará grande resistência. É exatamente o que está acontecendo com esta questão de cloro em piscinas!
Não torne uma criança feliz em uma criança infeliz com tratamentos desnecessários. Até que se prove o contrário, proibir natação é mais uma dessas ecomendações desnecessárias. Cabe àqueles que proíbem a natação o ônus da prova de sua eficácia e ela ainda não existe!”
As posições são um tanto discordantes. Em quem acreditar?
A modelagem terapêutica para cada situação, para cada caso, para cada criança doente, deve ser feita pelo médico. Assim, a suspensão da natação em piscina com água clorada ou a recomendação de praticar o esporte na piscina com água ozonizada se disponível, por exemplo, habitualmente faz parte de uma estratégia terapêutica global que envolve: outras medidas ambientais (prática dos esportes “aéreos” como futebol, por exemplo, e redução da exposição a alérgenos e a irritantes respiratórios) e medicamentosas. Numa situação dessa, onde um conjunto de medidas foram implementadas, a melhoria quando acontece não deve ser creditada a uma medida isolada (à suspensão da natação em piscina clorada, por exemplo) mas, sim, à toda a terapêutica instituída. O médico deve ter cuidado para não instalar a “fobia das piscinas”, pois isso pode aumentar a chance dos terríveis acidentes nos rios, nos açudes, nos mares e nas próprias piscinas.
E as outras doenças produzidas pelos derivados do cloro?
Há dados sugerindo que doença cardíaca, câncer e asma podem estar relacionados a certas substâncias resultantes da reação do cloro com outras moléculas. Há milhares delas que surgem da reação do cloro com as milhares de moléculas orgânicas existentes, como as dos materiais em decomposição das plantas e dos animais. Alguns dos produtos cloro-orgânicos formados, como os trihalometanos (THM’S), podem ter capacidade de produzir câncer principalmente do cólon, do reto, dos rins e da bexiga. Esses aspectos estão preocupando os que estudam os riscos x benefícios da água clorada.
E os olhos vermelhos e os cabelos descoloridos?
A conjuntivite química produzida nos usuários das piscinas pelos produtos clorados é uma realidade incontestável. Algumas crianças são muito sensíveis. Aconselhamos a lavagem dos olhos com soro fisiológico após os banhos de piscina. O oftalmologista deve sempre ser ouvido, pois a causa da irritação ocular pode ser outra ou pode ser uma mistura de conjuntivite química do cloro e outra doença. Aqueles que usam a piscina por muitas horas também podem ter os cabelos descoloridos e as roupas de banho precocemente imprestáveis.
A medicina evolui. Há novidades sobre o cloro e as doenças?
Destacamos dois estudos:
- Pesquisadores suecos mostraram que as crianças que frequentam as piscinas cloradas têm alterações de células respiratórias que são produzidas pela inspiração dos gases de cloro. Essa é mais uma evidência de que a exposição aos gases como o dióxido de enxofre, ao ozônio e ao cloro aumentam o risco de doenças respiratórias. Os que praticam a natação competitiva parecem ter mais sinais de inflamação respiratória e até de asma pela inalação do cloro e de vários derivados, principalmente, pela cloração da amônia que existe nos produtos orgânicos da água da piscina. A reação do cloro com a amônia gera cloraminas que são muito tóxicas. A natação que é indicada para tratar o asmático pode causar asma. O ozônio que é indicado como uma melhor alternativa que o cloro para a esterilização da água das piscinas também pode ser maléfico.
- Um outro grupo de estudiosos informa que a camada de gases clorados logo acima da superfície da água foi responsável pela maior ocorrência de asma em quase 2.000 crianças observadas. Eles constataram que o risco de desenvolver doença era maior nas crianças que permaneciam mais tempo nesse ambiente.
As piscinas fechadas são piores que as abertas?
As piscinas fechadas, sem ventilação apropriada, favorecem a inspiração de maior quantidade de gases de cloro. Não são as melhores. As preferidas são as abertas. Mas nos locais de clima frio, isso nem sempre é possível. Então há que se instalar eficientes mecanismos de renovação do ar.
É o cloro ou são os seus gases que fazem mal?
Provavelmente as duas coisas. No ouvido externo, é provável que o excesso de umidade e não o cloro é que faça mal. Tanto é que um dos tratamentos e uma das prevenções para esse problema é desidratar o conduto com álcool absoluto. As vias aéreas superiores — nariz e seios paranasais — são agredidas tanto pela água clorada, que entra nessas estruturas durante os mergulhos, quanto pelos gases com cloro quando o nadador está com a cabeça fora da água. A agressão das vias inferiores, onde a água não tem acesso, só pode ser produzida pelos gases clorados.
E as piscinas que usam água não clorada?
Há recomendações, pelo mundo afora, para tornar a prática da natação e o uso das piscinas na recreação mais segura, com menos acidentes e menos problemas para a saúde. Têm sido divulgadas, afora as condições mínimas exigidas, noções sobre a melhoria da ventilação das piscinas fechadas, o aperfeiçoamento da higiene dos usuários, a melhoria da circulação da água e o emprego de desinfetantes não clorados. A alternativa mais usada hoje é a desinfecção da água com o ozônio que parece mais saudável que o cloro.
Como é essa desinfecção com o ozônio?
Há muito, o ozônio é reconhecido como um potente germicida. Ele já substitui o cloro em vários países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, evidentemente com a aprovação dos órgãos governamentais que controlam a oferta de água para a população, na desinfecção da água para consumo humano. E os resultados dessa estratégia têm sido excelentes. Para a desinfecção das piscinas, desde 1980, nos Estados Unidos a ozonização é aceita como uma alternativa ao cloro. Atualmente nesse país, o ozônio é empregado no tratamento da água para o consumo da população, da água dos esgotos e da água das torres de refrigeração, para o controle do odor, para a purificação da água engarrafada, na aquacultura, na água usada na lavagem dos vegetais, frutas e legumes e em vários outros processos sanitários dos alimentos.
Como o ozônio funciona?
O ozônio é o mais poderoso desinfetante. Ele destrói algas e bactérias, inativa os vírus e oxida muitos produtos orgânicos e inorgânicos contidos na água. Essas ações são mais intensas que as produzidas pelo cloro. O surgimento de bactérias resistentes ao cloro torna essa diferença ainda mais notável.
E as piscinas com água do mar?
A água do mar é mais saudável para o nariz por ter composição parecida com a do soro fisiológico. No entanto, ela precisa ser tratada para ser usada nas piscinas. Contudo, os ouvidos externos das crianças que têm eczema ou crescimento excessivo de fungo são muito sensíveis a qualquer tipo de umidade o que, associado ao calor tropical, pode agravar essas condições.
Como prevenir e tratar as otites da piscina? E as sinusites?
Existem capítulos sobre as otites e sobre as sinusites que abordam os temas. Reiteramos o conselho de ouvir o médico sempre que houver indícios de anormalidades com a saúde das crianças e dos adolescentes. Os textos fazem parte de uma proposta educacional e não têm a pretensão de substituir a consulta médica.
