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Conversando com o Pediatra

Parte II — Principais problemasCapítulo 43 de 46

Covid-19

O que a pandemia ensinou sobre a Covid-19 nas crianças: sinais de alerta, testes, vacinas, máscaras e as regras de isolamento.

  • AutoriaJoão Guilherme Bezerra Alves e Otelo Schwambach Ferreira
  • Leitura18 min · 3,692 palavras
  • No livropáginas 1018–1029
  • Conversa21 perguntas respondidas

Resumo do capítulo

O capítulo abre com um guia prático e um balanço da pandemia, registrada entre março de 2020 e maio de 2023, e de seus efeitos indiretos sobre as crianças, como o fechamento das escolas. Em perguntas e respostas, explica o que são os coronavírus, por que a doença costuma ser mais leve nos pequenos, os sinais de alerta (febre por mais de 72 horas, queda do estado geral, dificuldade para respirar), os fatores de risco para formas graves, a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica e a Covid-19 longa.

Também compara testes rápidos e o RT-PCR, detalha medidas de prevenção, isolamento e quarentena, e discute as vacinas: esquemas, reforço, aplicação junto com outras vacinas e o risco de miocardite. A hesitação vacinal e a queda da cobertura no Brasil ganham atenção especial, com dados de pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria. Fecha com as orientações da OMS e do Ministério da Saúde sobre máscaras e tempo de isolamento.

Para quem: Para pais e cuidadores que querem entender como a Covid-19 afeta as crianças e o que fazer sobre vacinas, testes e isolamento.

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43.1Guia prático

  • Na época pandêmica, toda criança e todo adolescente com doença respiratória de qualquer tipo (rinite, faringite, traqueíte, bronquite, pneumonia, com ou sem febre), e com vários outros quadros (erupção cutânea, dor articular, febre inexplicada) deveriam ser suspeitos de ter a Covid -19.
  • Atualmente, na época pós-pandêmica, essa preocupação ainda deve existir, ainda que em menor nível.
  • O portador de uma das doenças antes citadas deve ser avaliado pela equipe de saúde, pois outros vírus (influenza e respiratório sincicial, por exemplo), distintas bactérias e até contato com irritantes (diversos tipos de fumaças e com agentes causadores de alergia, como o mofo e outros) podem ocasionar o problema.

43.2A pandemia da Covid-19

A recente pandemia da Covid-19, registrada entre março de 2020 e maio de 2023, foi uma das piores tragédias vivenciadas pela humanidade. Ocorreram quase 7 milhões de mortes entre mais de 600 milhões de pessoas atingidas no mundo. No Brasil, ocorreram quase 30 milhões de casos e mais de 700 mil mortes.

A pandemia registrou vários efeitos indiretos e negativos para a saúde, particularmente devido às quarentenas exigidas para o seu controle. São exemplos: aumento da mortalidade das doenças crônicas por falta de acompanhamento médico, elevação da incidência de doenças mentais e do consumo de drogas lícitas e ilícitas, acentuado incremento do comportamento sedentário e seus consequentes danos à saúde, além de ter diminuído fortemente as taxas de aderências às vacinas.

Nas crianças, os prejuízos foram enormes com o fechamento das escolas, além do estresse e os problemas mentais que atingiram particularmente esse grupo etário. Além disso, deflagrou uma grave crise econômica, provocando desemprego, inflação e aumento da pobreza, em especial nos países menos desenvolvidos. Essa crise econômica deve ter suas consequências vivenciadas ainda por décadas, particularmente nas camadas populacionais menos abastadas, as mais atingidas.

O que são os coronavírus?

Os coronavírus (CoV) são uma ampla família de vírus que podem causar uma variedade de condições, do resfriado comum a doenças mais graves, como a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e a síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV). O novo coronavírus (nCoV) é uma nova cepa de coronavírus que havia sido previamente identificada em humanos. Pesquisadores chineses identificaram que o novo coronavírus vem dos morcegos, assim como a maioria dos outros coronavírus. Conhecido como 2019-nCoV ou Covid-19, ele só foi detectado após a notificação de um surto em Wuhan, China, em dezembro de 2019. Covid significa Corona Virus Disease (Doença do Coronavírus), enquanto “19” se refere ao ano 2019, quando os primeiros casos foram divulgados.

A Covid-19 atinge com menos intensidade as crianças?

Sim, isso é verdade, graças a Deus! E esse foi um aspecto bastante típico nessa virose respiratória, pois as outras, comumente, atingem mais os idosos e as crianças, em especial aquelas mais jovens, e isso, não aconteceu com a Covid-19. Os estudos, até os dias de hoje, ainda não conseguiram explicar esse fato e várias hipóteses persistem sem serem comprovadas.

Entretanto, a Covid-19 teve seu impacto nas crianças. Nos EUA, por exemplo, 17.4% dos casos da Covid-19 foram registrados em crianças e adolescentes. Cerca de duas mil crianças faleceram devido à doença nos EUA até o final de 2022. Para efeitos comparativos, o vírus da Influenzae, na sua fase sazonal nos EUA, provocou a morte de cerca de 300 crianças no ano de 2022. Mundialmente, no ano de 2022, houve um aumento importante dos casos de Covid-19 em crianças, em especial com o surgimento da cepa ômicron e outras variantes, Cerca de 27% dos casos foram registrados em crianças e adolescentes.

Registre-se ainda que mais de 90% das mortes de crianças pela enfermidade foram registradas em países pobres ou em desenvolvimento e, em especial, nos menores de 1 ano. Isso demonstra mais uma vez o grande impacto das desigualdades sociais na área da saúde.

A Covid-19 é diferente em crianças?

Sim. A Covid-19 em crianças tende a ser bem mais leve. A maioria delas não chega a apresentar sintomas. Mas os pais devem ficar atentos para o surgimento de sinais de alerta: febre por mais de 72 horas, queda do estado geral ou dificuldade para respirar.

Crianças também transmitem a Covid-19?

Sim. E isso se torna um grave problema na propagação da Covid-19, pois, muitas vezes, a criança tem a infecção pelo vírus e não apresentando sintomas, se desloca por vários lugares (casa, escola...) sem nenhuma medida de prevenção, disseminando largamente o vírus. Admite-se que muitos avós adquiriram Covid-19 através de seus netos com infecções, mas sem nenhum sintoma.

Existe algum fator que favoreça o surgimento de formas graves da Covid-19 em crianças?

Sim. Similar aos adultos, crianças com obesidade, doenças metabólicas, prematuridade, doenças crônicas do pulmão, asma de difícil controle, cardiopatias, queda da imunidade, síndrome de Down e várias outras doenças importantes da infância, apresentam um risco maior para desenvolverem formas graves da Covid-19. Por essa razão, essas crianças devem receber medidas de prevenção com maior rigor e representam um grupo prioritário a ser vacinado.

E a síndrome inflamatória?

A síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) é rara, acontece em cerca de 1 a 10 casos para cada um milhão de crianças com Covid-19. Entretanto, pode ser muito grave. É caracterizada pela permanência da febre, dos sintomas respiratórios e digestivos, associados com o surgimento de lesões na pele e em mucosas. Pode levar a hipotensão e choque, caso não tratada precocemente e de forma adequada.

E a Covid-19 longa?

Covid-19 longa se refere a uma gama de sintomas experimentados por pessoas que tiveram a doença, após se recuperarem da infecção. Tem sido descrita com certa frequência em crianças. Estima-se que cerca de 25% das crianças com Covid-19 apresentem alterações do humor, distúrbios do sono ou fadiga, após terem a enfermidade.

Vejo muitas pessoas que fazem teste de farmácia e têm resultados errados. Por quê?

Os testes disponibilizados em farmácia são chamados de testes rápidos. São normalmente menos confiáveis, resultando com mais frequência em falso negativo e falso positivo. Já os testes feitos em laboratórios são mais precisos.

Qual o teste feito no laboratório?

O RT-PCR (Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction), considerado o “padrão-ouro” para o diagnóstico da Covid-19. Esse teste detecta o RNA do vírus SARS-CoV-2, na amostra analisada, preferencialmente obtida de raspado de nasofaringe. O teste rápido detecta o antígeno, proteínas do SARS-CoV-2, na fase de atividade da infecção. Tem a vantagem de ter o resultado de imediato, embora menos exato quando comparado ao RT-PCR.

Quais as medidas preventivas para crianças?

Similares às dos adultos, tanto a nível coletivo (isolamento e quarentena) como a nível individual:

  • Vacinar as crianças.
  • Manter a criança em casa e suspender a escola imediatamente na presença de qualquer sinal de infecção das vias aéreas superiores (febre, coriza, obstrução nasal, tosse ...).
  • Lavar bem as mãos frequentemente (usar água e sabão ou álcool 70%).
  • Evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes (mesmo dentro de casa) — procurar manter distância de cerca de 2 metros.
  • Limpar e desinfetar diariamente as superfícies tocadas com frequência.
  • Usar máscaras (ver indicações no texto abaixo).

Qual a diferença entre isolamento e quarentena?

O isolamento e a quarentena são estratégias de saúde pública que visam evitar a disseminação de doenças contagiosas. O isolamento é a separação de indivíduos infectados dos não infectados, durante o período de transmissibilidade da doença, no caso da Covid entre 2 a 14 dias. A quarentena é uma medida preventiva recomendada para restringir a circulação de pessoas que foram expostas a uma doença contagiosa, Covid-19 no caso, durante o período em que elas podem ficar doentes.

E quanto deve durar o período de isolamento?

Para pacientes sintomáticos, as novas recomendações da OMS sugerem 10 dias de isolamento a partir da data de início dos sintomas. Anteriormente, a OMS recomendava que pacientes poderiam sair do isolamento no 10º dia após do início de sintomas, com pelo menos 3 dias adicionais após o desaparecimento dos sintomas. Para aqueles que testaram positivo para Covid-19, mas não apresentam sinais ou sintomas para a doença (assintomáticos), a OMS agora sugere 5 dias de isolamento, comparado com 10 dias previamente recomendados. A OMS também recomenda que o paciente pode sair do isolamento mais cedo se testar negativo por meio de um teste rápido de antígeno.

E o uso de máscaras?

A OMS continua considerando o uso de máscaras faciais como uma ferramenta chave contra a Covid-19. Recomenda o uso de máscaras em situações específicas, independentemente da situação epidemiológica local:

  • Para aqueles que foram recentemente expostos à Covid-19.
  • Para casos confirmados ou suspeitos da doença.
  • Pessoas com risco alto para doença grave por Covid-19.
  • Em ambientes superlotados, fechados e com ventilação de ar inadequada.

Orienta ainda que existem outras situações em que o uso de máscara pode ser recomendado, como as tendências epidemiológicas locais ou o aumento das taxas de internação pela doença, nível de cobertura vacinal e imunidade na comunidade, e o ambiente em que as pessoas se encontram.

Por que algumas crianças vacinadas, assim como adultos, ainda adquirem a Covid-19?

As vacinas da Covid-19 são eficazes e tiveram um papel fundamental para o controle da pandemia. Infelizmente, nenhuma vacina apresenta uma eficácia de cem por cento para gerar a extinção da doença que ela propõe evitar. Haverá sempre uma pequena porcentagem de indivíduos que, mesmo vacinados, ainda desenvolverão a enfermidade visada. Além disso, os vírus vão apresentando mutações, ou seja, alterações do genoma, material genético do vírus. Essas mutações são proporcionais ao número de replicações do vírus, isso é, quanto mais pessoas infectadas maiores as chances do surgimento de novas variantes. Para esses vírus que sofreram mutações, habitualmente, as vacinas desenvolvidas para os vírus originais, com seu genoma não modificado (sem as mutações), apresentam um menor efeito. Isso foi registrado na Covid-19 com as variantes, ômicron (variante B.1.1.529), delta, gama, alfa e beta. Entretanto, mesmo nesses casos, os sintomas da doença são mais leves ou ausentes nas pessoas vacinadas.

Que vacina eu devo dar ao meu filho? Qual delas é a melhor?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta as pessoas a se vacinarem contra a Covid-19 com qualquer vacina que lhes seja oferecida. Todas as vacinas autorizadas foram previamente estudadas e se mostraram seguras e eficazes na prevenção da enfermidade.

O que é hesitação vacinal em crianças?

Hesitação vacinal é o nome dado ao comportamento dos pais em atrasar ou recusar vacinar seus filhos com vacinas disponibilizadas pelo sistema de saúde. Mais recentemente, os pais têm sido bombardeados com falsas informações sobre a eficácia e a segurança dos imunizantes.

Isso é preocupante...

Sim, muito! As taxas de vacinação vêm declinando no Brasil desde 2015 e preocupa as autoridades. Segundo dados do Ministério da Saúde, os índices de cobertura vacinal, que chegaram a 97% em 2015, declinaram a 75% em 2020, índice anteriormente atingido em 1987. A pandemia da Covid-19 parece ter intensificado esse processo. Isso resulta numa possibilidade bastante perigosa, o retorno de muitas doenças já erradicadas, algumas delas gravíssimas, como meningite, sarampo, tétano, difteria, pólio, entre outras.

Uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Pediatria mostrou que os sentimentos de desconfiança e de repúdio às vacinas por parte dos pais vinham através das redes sociais (30,95%), conteúdos veiculados pela mídia (20, 68%) e a busca por informações na internet (13, 60%). Também foram citados os conteúdos transmitidos por WhatsApp (8,43%), conselhos de amigos (4,61%) e de familiares (3,26%) e o quadro político geral (2,07%). Dentre os motivos mais comuns para não vacinar os filhos, foram apontados: receio de eventos adversos (19,76%), desconfianças quanto à segurança das vacinas (19,27%), esquecimento (17,98%) e falta de oferta no sistema público (17,58%). As vacinas contra a Covid-19 foram as que mais geraram controvérsias. Mais de 80% dos pais relataram expressões de reserva e desconfiança.

Especificamente para a vacina contra a Covid-19, os fatores mais mencionados pelos pais aos médicos foram: medo de que as vacinas usadas no combate à doença resultem em danos posteriores às crianças (18%), medo de problemas como miocardite e trombose (16,5%), e preocupações com a segurança geral das vacinas de RNA (12,8%). Também argumentaram que as crianças não desenvolviam Covid-19 grave (12,84%), que os pais ou responsáveis não conheciam nenhum caso de criança que morreu de Covid-19 (8,80%), que as vacinas não protegiam da infecção e as crianças só desenvolviam formas leves da doença (8,77%), que a vacina não impedia a Covid (7,08%), que os reforços eram uma estratégia dos laboratórios para empurrar a vacina para cima dos governos (6,95%) e que a infecção natural protegia por mais tempo do que a vacina (5,81%).

Os organizadores do estudo pontuam que parece haver uma diferença de atitude por parte dos pais quanto a se vacinarem e vacinarem os filhos contra a Covid-19. “Menos de 50% da população pediátrica elegível tomou vacina. Entre os adultos esse percentual chegou a 95% para a primeira e a segunda doses”, diz Eduardo Jorge da Fonseca, do comitê científico da SBP. “Isso sugere que, embora os pais e mães tenham se vacinado, essas fake news foram tão influentes que geraram insegurança junto aos pais, e, ainda mais grave, parecem ter afetado também a confiança nas demais vacinas. Já havia desde 2015 uma redução da cobertura vacinal e isso foi agravado pela politização da vacinação durante a pandemia”, diz.

Quando a criança deve tomar a segunda dose da vacina para Covid-19?

Vai depender da primeira vacina recebida. Para a vacina (pediátrica) da Pfizer, indicada para crianças de 5 a 11 anos, o reforço é com um intervalo de 8 semanas. Para a Coronavac, indicada para crianças a partir dos 3 anos, deve ter administrada após 28 dias.

A vacina para Covid-19 pode ser tomada junto com outras?

Sim. A partir da faixa etária dos 6 meses, as vacinas contra Covid-19 podem ser administradas simultaneamente ou com qualquer intervalo com as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação.

Criança que testou positivo para Covid-19 pode tomar a vacina?

A recomendação para esses casos é de aguardar 30 dias para tomar a vacina. Entretanto, alguns estudiosos apontam para 90 dias, baseados em estudos que indicam proteção segura pela infecção natural nesse período.

Qual o risco da vacina para Covid-19 provocar miocardite?

A miocardite, inflamação do músculo do coração, praticamente não tem sido descrita em crianças que tomaram a vacina contra a Covid-19. Entretanto, a miocardite tem sido descrita em crianças e adolescentes que contraíram a doença.

É necessária a dose de reforço para crianças?

O Ministério da Saúde, a partir de janeiro de 2023, passou a recomendar a dose de reforço da vacina Covid-19 para todas as crianças entre 5 e 11 anos. A orientação se baseia em estudos científicos que apontam um aumento da proteção com o aumento dos níveis de anticorpos depois da aplicação da dose complementar. Um estudo apontou um aumento de seis vezes no número de anticorpos após a dose de reforço. O reforço da vacina pediátrica da Pfizer se mostrou eficaz contra a variante ômicron, com aumento de 36 vezes na produção de anticorpos nessa faixa etária.

O intervalo entre a segunda dose e o reforço deverá ser a partir de quatro meses. A imunização complementar deve ser feita com a vacina pediátrica da Pfizer, independentemente se a criança tomou a primeira e a segunda dose da Pfizer ou da Coronavac. Mesmo para as crianças que perderam o prazo recomendado, devem receber esse reforço. O Ministério da Saúde recomenda a administração simultânea de vacinas Covid-19 com os outros imunizantes do calendário vacinal.

43.3Orientações gerais para o uso de máscaras faciais

Orientações para o uso de máscaras faciais

O Ministério da Saúde em sua Nota Técnica (0031644242) faz as seguintes recomendações para o suo de máscaras no âmbito individual:

  • Pessoas com sintomas gripais, casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, ou pessoas que tenham tido contato próximo com caso suspeito/ confirmado da doença.
  • Pessoas com fatores de risco para complicações da Covid-19 (em especial imunossuprimidos, idosos, gestantes e pessoas com múltiplas comorbidades) em situações de maior risco de contaminação pela Covid-19, como locais fechados e mal ventilados, locais com aglomeração e em serviços de saúde.

Em relação ao âmbito coletivo, recomenda:

  • As recomendações do uso de máscaras no âmbito coletivo devem ser definidas pelas autoridades locais a depender do cenário epidemiológico de cada unidade federada ou município, avaliando fatores como: cobertura vacinal (incluindo doses de reforço), taxa de transmissão, taxa de hospitalização por SRAG, mortalidade, entre outros.
  • Na ocorrência de surto de Covid-19 em determinado local ou instituição, recomenda-se o uso de máscara por todos os indivíduos do mesmo ambiente, devido ao potencial risco de transmissão por pessoas assintomáticas.

Orientações para isolamento de casos de Covid-19

Os indivíduos com quadro de síndrome gripal (SG) leve com confirmação para Covid-19 por qualquer um dos critérios (laboratorial ou clínico/epidemiológico) ou que ainda não coletaram amostra biológica para investigação etiológica devem:

  • Iniciar o isolamento respiratório domiciliar imediatamente e esse poderá ser suspenso no 7º dia completo do início dos sintomas se estiver afebril, sem o uso de medicamentos antitérmicos, há pelo menos 24 horas e com remissão dos sintomas respiratórios, sem a necessidade de realizar novo teste de biologia molecular ou TR-Ag. Nesse caso, devem ser mantidas as medidas adicionais, incluindo o uso de máscaras até o 10º dia completo do início dos sintomas. Mais informações em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/notas-tecnicas/2023/nota-tecnica-no-6-2023-cgvdi-dimu-svsa-ms.
  • Caso o indivíduo tenha acesso à testagem em serviço de saúde, o isolamento respiratório domiciliar pode ser reduzido e suspenso no 5º dia completo do início dos sintomas se apresentar resultado de teste de biologia molecular não detectável ou não reagente para TR-Ag realizado no 5º dia completo do início dos sintomas, desde que permaneça afebril, sem o uso de medicamentos antitérmicos há pelo menos 24 horas, e com remissão dos sintomas respiratórios. Nesse caso, devem ser mantidas as medidas adicionais (veja na sequência), incluindo o uso de máscaras até o 10º dia completo.
  • Se o indivíduo permanecer sem melhora dos sintomas respiratórios ou tiver febre no 7º dia completo após o início dos sintomas, ou se apresentar novo exame positivo para SARS-CoV-2 realizado a partir do 5º dia completo do início dos sintomas, deve ser mantido o isolamento respiratório domiciliar até o 10º dia completo. Ademais, caso o indivíduo não consiga usar máscara quando estiver próximo a outras pessoas, o isolamento deve ser de 10 dias completos após o início dos sintomas.

Atenção: dia 0 e o dia do início dos sintomas e o dia 1 é o primeiro dia completo após o início dos sintomas (24 horas), e assim sucessivamente.

Medidas adicionais a serem adotadas até o 10º dia completo do início dos sintomas/data da coleta nos casos de suspensão do isolamento a partir do 5º dia completo para casos leves/assintomáticos

  • Usar máscara bem ajustada ao rosto, preferencialmente cirúrgica ou PFF2/ N95, em casa ou em público.
  • Evitar contato com pessoas imunocomprometidas ou que apresentem fatores de risco para agravamento da Covid-19, como também locais com aglomerações de pessoas, como transporte público ou onde não seja possível manter o distanciamento físico.
  • Evitar frequentar locais onde não possa ser usada a máscara durante todo o tempo, como restaurantes e bares.
  • Evitar comer próximo a outras pessoas tanto em casa como no trabalho.
  • Evitar viajar durante o período.

Orientações para indivíduos assintomáticos e que testaram positivo para Covid-19 (teste rápido ou método RT-qPCR)

  • Iniciar o isolamento respiratório domiciliar imediatamente e esse poderá ser suspenso no 7º dia completo após a data da coleta da amostra, sem a necessidade de realizar novo teste, desde que permaneçam assintomáticos durante todo o período. Nesse caso, devem ser mantidas as medidas adicionais até o 10º dia completo da coleta da amostra, descritas acima.
  • Caso o indivíduo tenha acesso a testagem, o isolamento respiratório domiciliar pode ser reduzido e suspenso no 5º dia completo a contar da data da primeira coleta, desde que permaneça assintomático durante todo o período e com resultado não detectável para teste de biologia molecular ou não reagente para TR-Ag realizado no 5º dia completo a contar da data da primeira coleta. Nesse caso, devem ser mantidas as medidas adicionais, incluindo o uso de máscaras, até o 10º dia completo da primeira coleta, descritas acima.

Atenção: O autoteste rápido de antígeno não é recomendado para fins de redução do período de isolamento, tanto para casos leves como para os assintomáticos confirmados laboratorialmente, em função de possíveis erros na auto coleta da amostra e grande variedade de testes comerciais disponíveis com características de sensibilidade e especificidade diferentes.

Orientações para indivíduos com quadro de síndrome gripal leve, sem confirmação de Covid-19 pelo critério clínico/epidemiológico e com teste negativo para Covid-19 (teste rápido ou método RT-qPCR)

  • Medidas de isolamento e precaução podem ser suspensas desde que permaneçam afebris, sem o uso de medicamentos antitérmicos, há pelo menos 24 horas e com remissão dos sintomas respiratórios e cujos exames tenham sido realizados no período indicado, para evitar resultado falso negativo.

Orientações para indivíduos com quadro de síndrome gripal moderada e com confirmação para Covid-19 por qualquer um dos critérios (clínico-epidemiológico ou laboratorial) ou que ainda não coletaram amostra biológica para investigação epidemiológica

  • Medidas de isolamento e precaução devem iniciar imediatamente e só podem ser suspensas após 10 dias da data de início dos sintomas, desde que permaneçam afebris sem o uso de medicamentos antitérmicos há pelo menos 24 horas e com remissão dos sintomas respiratórios.

Orientações para indivíduos imunocompetentes com quadro de síndrome respiratória aguda grave (9srag) — grave/crítico — com confirmação para Covid-19 por qualquer um dos critérios (clínico-epidemiológico ou laboratorial)

  • Medidas de isolamento e precaução devem ser iniciadas imediatamente e só podem ser suspensas após 20 dias do início dos sintomas, desde que permaneçam afebris, sem o uso de medicamentos antitérmicos há pelo menos 24 horas e com remissão dos sintomas respiratórios, mediante avaliação médica.

Indivíduos gravemente imunossuprimidos com confirmação para Covid-19 por qualquer um dos critérios (clínico-epidemiológico, ou laboratorial)

  • Medidas de isolamento e precaução devem ser iniciadas imediatamente e só podem ser suspensas após 20 dias do início dos sintomas, desde que afebris há 24 horas e com remissão dos sintomas respiratórios. A estratégia baseada em testagem laboratorial (necessidade de RT-PCR para SARS-CoV-2 negativo) para descontinuidade do isolamento deve ser considerada nessa população, a critério médico.

Recomendações atuais para o uso de máscaras

OMS (Atualizadas)

Em situações específicas, independentemente da situação epidemiológica:

  • Para aqueles que foram recentemente expostos à Covid-19.
  • Para casos confirmados ou suspeitos de Covid-19.
  • Pessoas com risco alto para doença grave por Covid-19.
  • Em ambientes superlotados, fechados e com ventilação de ar inadequada.
Ministério da saúde (Vigentes)

Recomendado no âmbito individual para:

  • Pessoas com sintomas gripais, casos suspeitos ou confirmados da Covid-19 ou pessoas que tenham tido contato próximo com caso suspeito/confirmado da doença.
  • Pessoas com fatores de risco para complicações da Covid-19 (em especial imunossuprimidos, idosos, gestantes e pessoas com múltiplas comorbidades) em situações de maior risco de contaminação pela Covid-19, como: locais fechados e mal ventilados, locais com aglomeração e em serviços de saúde.

Recomendações atuais para tempo de isolamento

OMS (Atualizadas)
  • 10 dias de isolamento para casos de Covid-19 sintomáticos.
  • 5 dias para casos de Covid-19 assintomáticos.
Ministério da Saúde (Vigentes)

Indivíduos com quadro de síndrome gripal leve com confirmação para Covid-19 (sintomáticos):

  • 7 dias de isolamento (após início dos sintomas) e medidas adicionais até 10º dia.
  • Isolamento pode ser reduzido se apresentar resultado negativo ao final do 5º dia, e estar sem sintomas/febre por pelo menos 24 horas.
  • Se ainda apresentar sintomas/febre no 7º dia ou testar positivo no 5º dia, permanecer em isolamento até 10 dias.

Indivíduos assintomáticos confirmados laboratorialmente para Covid-19 (assintomáticos):

  • Sete dias de isolamento (após a data da coleta) e medidas adicionais até 10º dia.
  • Isolamento pode ser reduzido se apresentar resultado negativo ao final do 5º dia e continuar sem sintomas durante todo o período.
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